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Recomeçar não é simples.
Depois de um fim — seja traumático ou apenas inevitável — o coração leva um tempo pra entender o que aconteceu. E mais tempo ainda pra desejar abrir de novo.
Só que o desejo de recomeçar, por si só, não é suficiente.
Amar de novo pede presença. Clareza. Responsabilidade afetiva.
Antes de mergulhar, vale parar.
E se perguntar, com coragem, se você está pronto(a) pra construir algo novo — sem repetir os velhos padrões.
Essas sete perguntas não têm resposta certa.
Mas têm o poder de te devolver a você mesmo(a), antes que o outro chegue.
Carência não é amor.
Vazio não é convite.
Às vezes, a vontade de se jogar numa nova relação vem da tentativa desesperada de calar a saudade, a solidão, o medo de não ser escolhido(a) de novo.
Antes de buscar alguém, pergunte:
“Eu quero dividir algo — ou me anestesiar de mim?”
Toda relação deixa lições.
Mas só quem para pra refletir consegue realmente integrar o aprendizado.
– O que eu aceitei por medo?
– Onde eu me anulei?
– Como eu me comuniquei?
– O que faltou — em mim e no outro?
Não é sobre culpa. É sobre consciência.
Pra não carregar velhas dores em novos corpos.
Recomeçar é mais difícil quando a culpa está presente.
Culpa paralisa, endurece, fecha.
Você pode ter falhado. Pode ter errado o tom, o tempo, a entrega.
Mas agora é hora de olhar com compaixão e perguntar:
“O que eu faria diferente hoje?”
Se a resposta for honesta, já é um sinal de crescimento.
Amar alguém não deveria ser uma forma de se abandonar.
Relação não deve preencher buracos — mas transbordar.
Se você ainda não consegue lidar com a própria companhia, talvez precise antes se acolher.
Quem não sabe estar só, corre o risco de aceitar qualquer coisa só pra não sentir o silêncio.
Comunicação é maturidade.
Não adianta esperar que o outro perceba, leia seus gestos, decifre suas ausências.
Amar é saber falar. Com clareza, com gentileza, com coragem.
Antes de amar de novo, pergunte:
“Se algo me ferir, eu saberei dizer?
Se algo me faltar, eu saberei pedir?”
Tem gente que se apaixona por projeção.
Pelo que o outro representa. Pelo que gostaria que fosse.
Ou pelo simples fato de sentir-se desejado(a) de novo.
Mas relações reais exigem que se ame o outro como ele é — e não como você gostaria que fosse.
Desejar o amor é legítimo.
Mas se envolver com alguém exige presença real.
Do outro — e sua.
Depois de tudo o que você viveu…
– O que você espera do amor?
– O que você não aceita mais?
– O que você está disposto(a) a construir?
O sentido que o amor tinha aos 20 talvez não sirva mais.
E isso é ótimo.
Porque o amor pode amadurecer com você — se você souber onde está pisando.
Antes de amar de novo, se ame como nunca.
Se olhe. Se escute. Se pergunte.
Não pra levantar muros — mas pra construir pontes mais firmes.
Não pra se proteger do outro — mas pra não se abandonar mais uma vez.
O coração sabe amar.
Mas só a consciência sabe onde é seguro plantar esse amor.
– Bell Hooks – Tudo Sobre o Amor
– Brené Brown – A Coragem de Ser Imperfeito
– Guy Winch – Primeiros Socorros Emocionais
– Psicologia Viva – Artigos sobre autoconhecimento e recomeços afetivos
– Harriet Lerner – A Dança da Intimidade