Amor próprio não é egoísmo: entenda a diferença

Quantas vezes você já ouviu — ou sentiu — que cuidar de si era “egoísmo”?
Talvez por dizer “não”, por colocar limites, por escolher o que te faz bem, alguém tenha te acusado de pensar só em si.
E, por medo de parecer insensível, você foi cedendo. Se anulando. Se colocando por último.

A verdade é: amor próprio e egoísmo não são a mesma coisa.
Confundir os dois é uma das causas mais comuns de relações desequilibradas, esgotamento emocional e baixa autoestima.

Neste artigo, vamos esclarecer essa diferença com exemplos claros — e te mostrar por que cultivar o amor próprio é, na verdade, o melhor presente que você pode dar a si mesmo(a) e a quem ama.

O que é amor próprio, afinal?

Amor próprio é o compromisso com o seu bem-estar físico, emocional, mental e espiritual.
É a capacidade de se tratar com respeito, carinho e honestidade.
É se reconhecer como merecedor(a) de cuidado, sem precisar que alguém te “autorize”.

Quem tem amor próprio:

– Sabe dizer sim e também sabe dizer não
– Não se abandona para agradar os outros
– Cuida da própria saúde emocional
– Se responsabiliza por suas escolhas — e por sua felicidade
– Se valoriza, mesmo quando não é valorizado por todos

Amar a si mesmo(a) é a base para amar com verdade o outro.

O que é egoísmo?

Egoísmo é agir unicamente em benefício próprio, sem considerar o impacto das suas atitudes nos outros.
É ignorar as necessidades alheias por conveniência.
É não saber (ou não querer) partilhar.

O egoísmo afasta. O amor próprio sustenta.

Exemplo:
– Egoísta: “Vou fazer isso, não me importo se vai te machucar.”
– Amor próprio: “Preciso fazer isso por mim. Eu entendo que pode ser difícil para você, mas é algo que preciso viver.”

Onde nasce a confusão?

Muitas vezes, ela vem de relações onde se esperava que você se anulasse para provar amor.
Famílias, parceiros(as), amizades tóxicas podem ter reforçado a ideia de que você só é bom o bastante quando se sacrifica.

Mas amor não é sacrifício constante.
Relacionamentos saudáveis respeitam limites e reconhecem a individualidade de cada um.

Amor próprio na prática: como exercitar sem culpa

1. Coloque limites sem se justificar demais

Você não precisa se explicar tanto para dizer “não posso”, “não quero” ou “isso não me faz bem”.
Limite não é rejeição — é proteção.

2. Priorize seu bem-estar emocional

Você pode adiar um encontro para descansar.
Pode se afastar de alguém que te drena.
Pode escolher o silêncio quando o ambiente é agressivo.

Cuidar de si não é fugir — é saber o seu tamanho.

3. Saiba receber e recusar sem peso

Dizer “obrigado, mas não quero” ou “agradeço, mas não estou disponível agora” é um ato de maturidade — não de frieza.

4. Reescreva a narrativa

Substitua frases como:
– “Eu sou egoísta por pensar em mim”
Por:
– “Eu também importo nessa história.”
– “Me cuidar não diminui ninguém.”
– “Quem me ama vai compreender meus limites.”

Amar-se é o oposto de se fechar

Quando você se ama, você se torna mais capaz de amar de forma generosa.
Porque já não espera que o outro te salve, te prove, te complete.
Você entra inteiro(a) nas relações — e não exigindo que o outro conserte suas faltas.

O amor próprio não exclui o outro — ele prepara o espaço para o amor verdadeiro.

Conclusão

Amar a si mesmo(a) não é sinal de egoísmo. É sinal de lucidez.

É o que te permite dizer sim com presença e dizer não com paz.
É o que impede que você aceite migalhas por medo de estar só.
É o que transforma relações de carência em relações de escolha.

Amor próprio é base. É raiz. É estrutura.
E quem te faz sentir culpa por exercê-lo… talvez ainda não saiba o que é amar de verdade.

Fontes e leituras recomendadas

– Brené Brown – A Coragem de Ser Imperfeito
– Robin Norwood – Mulheres que Amam Demais
– Bell Hooks – Tudo Sobre o Amor
– Instituto de Psicologia da USP – Pesquisas sobre autoestima e relações familiares
– Psicologia Viva – Artigos sobre autovalor e limites afetivos

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