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Quando uma relação longa termina, não é só a pessoa que vai embora.
Vai embora o hábito. A rotina. A ideia de futuro. O cheiro no travesseiro. Os planos de domingo.
Vai embora um pedaço da vida que parecia estável. Familiar. Quase eterno.
E o que fica é um vazio difícil de explicar.
Um silêncio que não é só ausência — é confusão, saudade, medo, raiva, exaustão.
Esse texto é pra você que está atravessando esse limbo.
Não para apressar sua cura.
Mas pra te lembrar que esse vazio não é o fim — é o recomeço.
O fim de uma relação longa mexe com a identidade.
Você não perdeu só uma pessoa — perdeu uma versão de si mesmo(a) que existia ali dentro.
É por isso que tudo parece sem sentido por um tempo.
Mas por mais doloroso que seja, o vazio é o que sobra quando o que não faz mais sentido foi embora.
Ele não está te punindo. Está abrindo espaço.
Pra novas verdades. Pra sua voz. Pra sua presença.
Ainda que agora pareça impossível enxergar isso.
Não tente tapar o vazio com distrações forçadas.
Nem com novos amores apressados.
Nem com frases prontas do tipo “foi melhor assim” ou “vida que segue”.
Você tem direito de viver o luto.
Chorar. Ficar em silêncio. Dormir mal. Ficar confuso(a).
Mas tente fazer isso com consciência, e não em modo automático.
Sinta — mas não se perca.
A dor só vira cura quando é atravessada, e não negada.
Em momentos assim, o simples vira essencial.
– Comer alimentos que te façam bem
– Dormir no mesmo horário
– Tomar banho e se vestir, mesmo sem sair
– Dar pequenas voltas pelo bairro
– Fazer o mínimo — com presença
Você não precisa resolver a vida agora.
Precisa só continuar respirando. Um dia de cada vez.
E aos poucos, a rotina vira chão.
E o chão vira força.
Quando uma relação dura muito, é comum se misturar ao outro.
Suas vontades, seus hábitos, sua identidade.
Agora, você tem a chance — dolorosa, sim — de voltar a si.
O que você gostava e deixou de fazer?
Quais sonhos engavetou?
O que sempre quis tentar, mas adiou?
Não se apresse em responder.
Mas esteja disponível pra se reencontrar.
Você não precisa atravessar tudo sozinho(a).
Procure amigos reais. Conversas verdadeiras. Terapia, se possível.
Gente que te olhe sem pressa, sem julgamento, sem frases prontas.
Relacionamentos não se curam apenas com o tempo.
Se curam com presença — sua e dos outros.
A mente adora montar filmes editados: só os momentos bons, só o que poderia ter sido.
Mas idealizar o passado é um jeito inconsciente de fugir do agora.
Lembre-se do todo. Do que doeu. Do que faltou. Do que te fez sair.
Você não precisa alimentar raiva.
Mas também não precisa romantizar o que já não te cabia.
Não um novo relacionamento, necessariamente.
Mas uma nova vida que te acolha. Que faça sentido. Que tenha sua cara.
Talvez isso comece com um hobby.
Ou com um curso. Uma viagem. Um novo hábito.
Não importa o tamanho do passo — importa o sentido que ele carrega.
Você não precisa saber onde vai dar.
Só precisa saber que não está parado.
O vazio após o fim de uma relação longa é real.
É árido. É estranho. É silencioso.
Mas também pode ser fértil.
Não se cobre por estar bem.
Não se apresse para “seguir em frente” como se isso tivesse data marcada.
A dor passa — mas a presença que você cultiva agora, fica.
E quando o amor voltar — seja por outro, seja por você mesmo(a) —
ele vai encontrar alguém inteiro.
Ferido talvez, mas inteiro.
Porque o que importa não é o fim.
É o que você vai escolher fazer com ele.
– Bell Hooks – Tudo Sobre o Amor
– Guy Winch – Primeiros Socorros Emocionais
– Esther Perel – Repensando a Infidelidade
– Psicologia Viva – Artigos sobre luto amoroso e reinvenção pessoal
– Instituto de Psicologia da USP – Pesquisas sobre rupturas e identidade