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Você recomeçou. Depois de um fim difícil, encontrou alguém que te faz bem.
Mas junto com essa nova relação, veio também a dúvida: como conciliar o amor que nasceu com o amor que já existe?
Porque quando se tem filhos, o tempo muda de valor.
As prioridades se embaralham. A culpa aparece.
E entre cuidar dos outros, dar conta de tudo e tentar viver um novo amor…
É fácil se perder de si — ou machucar alguém sem querer.
Este texto é para quem vive esse dilema.
Para quem não quer deixar os filhos de lado, mas também não quer se anular de novo.
Existe equilíbrio. Mas ele não vem do automático — vem da consciência.
Essa equação não é simples.
Amor de filho não se compara a amor de casal — mas ambos pedem presença, atenção e tempo de qualidade.
É natural que, no começo de uma nova paixão, tudo pareça urgente. A vontade de estar junto, de viver intensamente, de compensar o tempo perdido.
Mas quando há filhos envolvidos, o recomeço precisa ser mais lento, consciente e generoso.
Não se trata de escolher entre um ou outro.
Se trata de aprender a ocupar espaços diferentes com verdade.
Os filhos percebem. Mesmo pequenos, eles sentem mudanças no ar.
Esconder demais só alimenta a fantasia — ou o ressentimento.
Você não precisa contar tudo, nem forçar uma aproximação.
Mas pode, sim, falar com naturalidade sobre a sua vida.
Dizer, por exemplo:
“Tem uma pessoa nova que está me fazendo bem. Eu ainda estou conhecendo, mas achei justo te contar.”
Dar contexto é uma forma de respeito.
E respeito, na prática, é amor traduzido.
Não deixe o tempo com eles virar “o tempo que sobrou”.
Mesmo que a rotina esteja corrida, crie momentos onde só vocês existem.
– Um passeio no final de semana
– Uma noite de filme
– Um almoço onde vocês escolhem o cardápio juntos
– Uma conversa no quarto antes de dormir
Esses rituais dizem:
“Mesmo com mudanças, você continua sendo meu lugar.”
E isso dá segurança emocional — para eles e para você.
É tentador querer que tudo se encaixe rápido.
Apresentar o novo parceiro, unir mundos, criar uma nova “família”.
Mas pressa emocional machuca.
Apresentações devem ser feitas com tempo, cautela e somente quando houver vínculo estável e intenção real de continuidade.
Filho não é laboratório de relacionamento.
E parceiro(a) não deve se sentir jogado em um papel que não pediu.
Você também merece ser amado(a).
Merece noites de afeto, conversas profundas, toque, alegria.
E sim, merece viver uma relação onde você é escolhido(a) — não só por ser pai ou mãe, mas por ser pessoa.
Mas é importante que quem está com você entenda e respeite a sua realidade.
O equilíbrio só existe quando há empatia de todos os lados.
Não aceite menos do que isso.
Filhos precisam de presença, mas também precisam de referências de alguém que vive com dignidade e verdade.
Quando você se cuida, se respeita, se coloca no centro da própria vida… você ensina.
Não com palavras — com exemplo.
E crescer vendo um pai ou uma mãe feliz, mesmo após desafios,
é uma das maiores heranças emocionais que alguém pode deixar.
Conciliar filhos e novo relacionamento não é um problema.
É um convite à maturidade.
É sair do 8 ou 80 — da anulação ou da culpa —
e entrar num lugar onde todos têm espaço.
Amar alguém novo não significa amar menos quem já estava.
Significa que agora você está aprendendo a dividir-se sem se perder.
E esse, talvez, seja o verdadeiro amor maduro:
aquele que inclui, acolhe e constrói com calma.
– Harriet Lerner – A Dança das Conexões
– Instituto de Psicologia da USP – Pesquisas sobre parentalidade e recomposição familiar
– Psicologia Viva – Artigos sobre novos relacionamentos com filhos
– M. Scott Peck – O Caminho Menos Percorrido