Address
304 North Cardinal
St. Dorchester Center, MA 02124
Work Hours
Monday to Friday: 7AM - 7PM
Weekend: 10AM - 5PM
Address
304 North Cardinal
St. Dorchester Center, MA 02124
Work Hours
Monday to Friday: 7AM - 7PM
Weekend: 10AM - 5PM

Há silêncios que acolhem.
E há silêncios que ferem.
Quando a pessoa que você ama para de falar, se fecha, some —
não é só a ausência da voz que pesa.
É a ausência de resposta, de clareza, de sentido.
Você pergunta, e não vem nada.
Você tenta, e bate numa parede invisível.
E de repente, amar se torna esperar por migalhas de presença.
Esse texto não traz mágica.
Mas traz respiro.
Pra quem está doendo em silêncio, diante do silêncio de alguém.
Muitas vezes, tentamos racionalizar o silêncio do outro.
“É o jeito dele(a)”
“Está passando por algo”
“Logo volta ao normal”
Tudo isso pode até ser verdade.
Mas o que também é verdade — e precisa ser validado — é o que isso está gerando em você.
Você tem o direito de dizer:
“O seu silêncio me machuca.”
“Sinto que estou falando sozinho(a).”
“Preciso saber onde estou pisando.”
Não se cale diante da ausência do outro.
Você importa.
Nem toda mensagem vem com palavras.
Às vezes, o que não é dito grita mais alto que o que foi falado.
O silêncio pode estar dizendo:
– “Estou confuso(a)”
– “Não sei lidar com isso”
– “Estou te punindo”
– “Estou me afastando”
– “Estou testando seus limites”
Você não precisa adivinhar.
Mas também não deve ignorar o que esse silêncio está sinalizando.
Pergunte com maturidade.
E observe com lucidez.
Você pode dizer:
“Percebi que você se afastou. Aconteceu algo?”
“Queria te ouvir, se você quiser falar.”
“Se precisar de espaço, tudo bem — mas preciso saber que estou num lugar seguro.”
Mas é importante entender:
Você pode abrir a porta.
Mas não pode forçar ninguém a atravessá-la.
Se o outro escolhe não falar, esse também é um posicionamento.
E você não precisa implorar por presença.
Quando alguém se cala, é comum você começar a se calar também.
Com medo de parecer exagerado(a), carente, “intenso(a) demais”.
Então você encolhe sua dor. Suaviza suas necessidades. Se adapta.
Mas toda vez que você se diminui para caber no silêncio do outro,
você se afasta de si.
E amar alguém nunca deveria te fazer perder a própria voz.
Muita gente confunde “dar espaço” com “sumir emocionalmente”.
Ou “evitar conflito” com “ignorar o outro”.
Mas relações saudáveis não se constroem no vácuo.
Amor exige presença. Nem que seja pra dizer: “não estou pronto pra falar agora.”
Se o silêncio virou padrão, virou punição, virou chantagem emocional —
isso não é amor. É descuido.
Dói dizer isso. Mas é verdade.
Se o outro não responde, não acolhe, não se posiciona —
talvez seja hora de você fazer isso por si.
Você merece ser escutado(a), olhado(a), respondido(a).
Merece reciprocidade, mesmo nos momentos difíceis.
Se for pra atravessar o silêncio…
Que seja pra dentro de si.
Não esperando o outro voltar — mas voltando pra si.
O silêncio de quem você ama pode ser devastador.
Mas também pode ser um espelho.
Ele mostra o quanto você tem se calado.
Mostra se existe troca — ou se você está sempre esperando por migalhas.
Você não precisa viver gritando num corredor vazio.
Nem continuar numa relação onde o silêncio virou muro.
Você pode — e deve — se escolher.
Mesmo que isso doa.
Mesmo que isso seja o recomeço mais difícil de todos.
Porque o amor mais bonito não é aquele que te faz esperar.
É o que te encontra — com voz, presença e verdade.
– Bell Hooks – Tudo Sobre o Amor
– Harriet Lerner – A Dança da Raiva
– Psicologia Viva – Artigos sobre comunicação afetiva e silêncio emocional
– Instituto de Psicologia da USP – Pesquisas sobre vínculos evitativos e afastamento afetivo
– Brené Brown – A Coragem de Ser Imperfeito