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Relacionamentos não fracassam só por falta de amor.
Muitos desmoronam por mal-entendidos acumulados, por palavras mal colocadas, por escutas distorcidas.
Porque numa conversa íntima, nem sempre ouvimos o que o outro disse.
Ouvimos o que nossa história nos permite escutar.
Se você cresceu tendo que agradar pra ser amado(a), pode escutar um “preciso de espaço” como “você é insuficiente”.
Se viveu rejeição, um “não concordo com você” pode soar como abandono.
Se tem feridas abertas, até um silêncio pode virar ofensa.
Ouvir o outro de verdade pede mais do que ouvidos.
Pede presença, responsabilidade emocional e autoconhecimento.
Quando alguém diz “preciso pensar”, você escuta:
“Está me deixando.”
Quando diz “isso me machucou”, você escuta:
“Você é horrível.”
Quando diz “me dá um tempo”, você escuta:
“Você não vale a pena.”
Mas e se não for isso?
O que o outro diz pode ser um pedido simples, humano, vulnerável.
Mas o que você escuta passa pelo filtro da sua história.
E esse filtro, se estiver cheio de mágoas antigas, distorce tudo.
Às vezes, o outro está irritado — com a vida, com o trabalho, com ele mesmo.
E você escuta aquilo como rejeição pessoal.
Você pergunta “está tudo bem?” e a resposta seca vira uma tempestade na sua cabeça:
“Ele(a) mudou.”
“Fiz algo errado.”
“Está me afastando.”
Mas e se não for?
Aprender a separar o que é seu do que é do outro é um ato de maturidade.
E uma forma poderosa de não carregar pesos que não te pertencem.
Às vezes, a frase é suave. Mas o tom é duro.
Outras vezes, a frase parece áspera. Mas o tom revela cansaço, não agressão.
Ouvir é um ato sensível.
Não basta escutar as palavras — é preciso perceber a intenção.
Quem escuta só com os ouvidos, interpreta.
Quem escuta com empatia, compreende.
Se você não entendeu o que o outro quis dizer, pergunte.
– “Quando você disse isso, quis dizer o quê?”
– “Fiquei com dúvida se entendi direito.”
– “Você pode me explicar melhor o que quis dizer com aquilo ontem?”
Perguntar evita ressentimento.
Evita suposições. Evita distanciamentos desnecessários.
A maior parte das brigas não vem de diferenças reais —
mas de interpretações não conversadas.
Tem uma diferença enorme entre:
“Você me ignorou de propósito.”
E
“Eu me senti ignorado(a) com seu silêncio.”
A primeira frase acusa.
A segunda expõe um sentimento — e convida ao diálogo.
Você tem direito de sentir o que sente.
Mas não tem o direito de interpretar e culpar sem conversar.
Relações saudáveis são feitas de escuta dupla.
Onde um fala com verdade, e o outro escuta com humildade.
Você pode pedir que falem com mais cuidado.
Mas não pode esperar que o outro sempre diga as palavras certas, do seu jeito, na sua linguagem.
A responsabilidade de escutar com clareza é sua.
E ela começa ao reconhecer que escutar é também se perceber.
O que em você se ativa quando alguém fala mais alto?
O que dói quando alguém pede espaço?
O que te fecha quando o outro não diz o que você esperava?
A escuta começa por dentro.
O que o outro diz nem sempre é o que você escuta.
E o que você escuta, muitas vezes, não foi o que o outro quis dizer.
Por isso, entre a fala e a reação, coloque um intervalo de consciência.
Pergunte, reflita, respire.
A comunicação afunda quando se fala demais e se escuta de menos.
Mas floresce quando se escuta com verdade — e se responde com presença.
No fim, amar é isso:
ouvir além da voz.
E ser ouvido além do ruído.
– Marshall Rosenberg – Comunicação Não-Violenta
– Brené Brown – A Coragem de Ser Imperfeito
– Harriet Lerner – A Dança da Conexão
– Psicologia Viva – Artigos sobre escuta ativa e comunicação afetiva
– Instituto de Psicologia da USP – Pesquisas sobre percepção emocional e relacionamentos