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Não é o fim do amor que costuma separar os casais. É o fim da escuta.
Quando um para de ouvir o outro — de verdade — o vínculo começa a se esvaziar, pouco a pouco. As palavras continuam sendo ditas, mas não são mais recebidas. A intimidade se desgasta. O silêncio vira muro, e não abrigo.
A falta de escuta é uma das causas mais silenciosas (e comuns) do afastamento afetivo entre parceiros. E neste artigo, vamos entender por que isso acontece, como identificar quando o casal está se desconectando e o que pode ser feito para recuperar a escuta como gesto de amor.
Escutar não é apenas ouvir. É estar presente. É deixar de lado, por instantes, o desejo de responder, corrigir, defender ou vencer. Escutar é acolher o que o outro sente, mesmo que você não concorde. É se abrir para o mundo emocional do parceiro com curiosidade e empatia.
Segundo o Instituto Gottman — referência mundial em estudos sobre casais — a escuta empática é uma das habilidades mais presentes em relacionamentos duradouros e satisfatórios. Sem ela, o casal perde sua principal ponte: o diálogo verdadeiro.
Quando alguém fala e não é escutado, uma parte importante da sua identidade fica sem testemunha. Com o tempo, a pessoa se cala. E começa a buscar acolhimento em outros espaços — ou em si mesma, de forma defensiva.
Comentários ignorados, desabafos interrompidos, pedidos não levados a sério. Tudo isso parece pequeno no momento, mas vai criando uma camada de frustração emocional que impede a conexão real.
Em vez de ouvir, o parceiro começa a rebater, corrigir ou minimizar. “Você está exagerando.” “De novo isso?” “Ah, mas eu também passo por coisas.” Isso gera ressentimento e isolamento afetivo.
Quando cada um só quer provar seu ponto, a escuta é substituída pela necessidade de ter razão. E, como dizia o psicólogo Marshall Rosenberg: “Você prefere ter razão ou ter conexão?”Sinais de que o casal não está mais se escutando
– Um começa a falar e o outro interrompe ou desvia o assunto
– O outro desabafa, e a resposta é sempre um “mas comigo também”
– Um dos dois evita conversar para não “encher o saco”
– Discussões terminam em silêncio ou em frases defensivas
– O parceiro só ouve com atenção quando há ameaça de separação
Esses sinais não são necessariamente um fim — mas sim um pedido de mudança.
Isso significa: pare o que está fazendo, olhe nos olhos, escute até o fim. Não pense na resposta enquanto o outro fala. Respire. Quando terminar, pergunte: “Você quer que eu diga algo ou só que eu escute?”
Dizer “eu entendo que isso te doeu” é mais poderoso do que tentar explicar por que você não fez por mal. Validação emocional cria confiança.
Muitos casais esperam o caos para conversar. Que tal criar um momento semanal, sem distrações, só para trocar percepções, emoções, planos e inquietações? Nem sempre será confortável, mas será nutritivo.
A escuta começa pelo corpo. Cruze os braços e o outro se fecha. Mantenha o celular na mão e o outro se desliga. Mostre, com atitudes, que você está presente.
Quem não sabe nomear os próprios sentimentos dificilmente conseguirá escutar o do outro com empatia. Autoconhecimento e escuta interna são pré-requisitos para a comunicação afetiva.
Escutar é amar com o ouvido, com o corpo e com a alma. É dizer, sem palavras: “O que você sente importa. Eu estou aqui.”
Casais não se afastam apenas porque deixaram de amar. Muitos se afastam porque pararam de escutar — e com isso, pararam de se reconhecer.
Mas a escuta pode ser reaprendida. É um gesto simples, mas profundo. E, se cultivado com cuidado, pode restaurar pontes que pareciam perdidas.
Porque, no fim, o que salva um amor não é o quanto ele começou intenso. É o quanto ele continua presente.
– Instituto Gottman – Pesquisas sobre comunicação nos relacionamentos
– Marshall Rosenberg – Comunicação Não Violenta
– Brené Brown – A Coragem de Ser Imperfeito
– Harriet Lerner – The Dance of Connection
– Psicologia Viva – Artigos sobre escuta empática e vínculos afetivos